sábado, 25 de junho de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
CÍRCULO DO EU
CÍRCULO DO EU
Às vezes a noite é sombria
e tenebrosa
nos dias do meu eu.
Busco os montes serenos,
mas o sereno é frio
e durmo sem Deus.
Há noite, há noite num breu ?
Ou será que a noite sou eu ?
E procuro, vasculho, tateio
mas, logo em seguida:
- Bom dia!... já amanheceu.
Volto quando a noite voltar,
no escuro do dia, o eu despontar.
- Até logo, até lá,
até breve... , volto já.
Até lá...
quando a noite voltar.
* do livro VENTRE DA NOITE - Editora Muiraquitã - Walma Lúcia - 1995
Apresentação: Luis Antônio Pimentel
Prefácio: Branca Eloysa e Marco Américo Lucchesi
Capa: Walma Lúcia
4 ª Capa: Flávia Lage(foto).
NA LAMA (Giovanni)
NA LAMA (Giovanni)
Tá tão frio, meu Giovanni.
me desnudo,
tá tão frio, tão frio,
gozo em mim, gozo de mim
e tá frio - deserto,
de certo, eu não sei quem sou.
Nesta lama tão nua, Giovanni,
meu Giovanni,
olhe!
estou nua de mim.
E um tesão me envolve... na lama
olha meu corpo,
tá tão nu - travestido - tá tão nu.
Estou tão solta das grades,
dos freios dos certos,
incertos, incertos,
incertos...
tão presos em si.
Eu translouca, tão solta,
tão presa.
Sem roupa, sem veste - traveste,
sem pudor,
por favor... não me vista.
Nua de mim,
neste gozo narciso que me mostra,
sem que eu nada saiba.
Na lama, na cama, na fama...
na boca do povo... não importa.
No vento da noite - não tão fria...
desnuda - sem a roupa suja, tão suja
que não me pertence
e eu... nua.
Giovanni, tão meu...
Giovanni tão frágil, tão só,
tão preso... tão euuuuuuuuuu.
Oh!!!
Por que me prendo nesta nudez tão dúbia
e,
já não me vejo?
Ao Caíque Ferreira,
pela sua interpretação apaixonada em "GIOVANNI",
que me inspirou escrever este poema.
* do livro VENTRE DA NOITE - Editora Muiraquitã - Walma Lúcia - 1995
Apresentação: Luis Antônio Pimentel
Prefácio: Branca Eloysa e Marco Américo Lucchesi
Capa: Walma Lúcia
4 ª Capa: Flávia Lage(foto) .
A DAMA
A DAMA
E a dama se vestiu da noite,
e o Senhor lhe deu todo o poder
sobre a Terra.
E a dama dominou as aves, os répteis,
os anfíbios...
e a dama dominou os homens.
Inclinou ela as mãos
e declarou guerra
a todos os viventes
e, fez-se sombra.
Do alto do seu trono
personificava-se em anima
e...
vomitando desejo,
seus olhos eram de fogo
a incendiar os homens,
a instigar os homens.
E dormiu com todos ...
realizando o seu sonho de poder.
*
do livro VENTRE DA NOITE - Editora Muiraquitã - Walma Lúcia - 1995
Apresentação: Luis Antônio Pimentel
Prefácio: Branca Eloysa e Marco Américo Lucchesi
Capa: Walma Lúcia
4 ª Capa: Flávia Lage(foto).
quarta-feira, 7 de julho de 2010
O CÂNONE LILÁS E AS ROSAS ANÁRQUICAS - livro - WALMA LÚCIA - 2002
Editora Achiamé - Novembro de 2002 - Walma Lúcia
esse livro
tem a pretensão
apenas
de ser
livremente
letras
e palavras
escritas
ditas
mal ditas
bem ditas
palavras.
a autora
(Walma Lúcia)
11-10-2000
eu gosto é das
onomatopéias
dos sons
que me alcançam
ouvidos
onomatopaicos
os sons
do seu gesto livre
sobre as asas
da imaginação
eu gosto
é das onomatopéias.
(O CÂNONE LILÁS E AS ROSAS ANÁRQUICAS - Poemas - Walma Lúcia - 2002)
CANÇÃO À EPÍCURO - livro - VENTRE DA NOITE - Poemas
no desejo culminal
do meu prazer
há muito Platão não me sacia
na busca da anima
do viver.
Feito pássaro
que cobre os horizontes,
um colibri
que beija sua flor,
farei dos desejos mandamentos
e dos gozos,
momentos de louvor.
(VENTRE DA NOITE - Livro)
APRESENTAÇÃO
Escolhi esta disciplina como eletiva(sou aluna de outro curso-Letras) e confesso, ter sido
a matéria que mais me acrescentou - entre as 07 cursadas neste período.
Pretendo ampliar durante a construção dos Blocos-Caderno-Blog(ainda primário e artesanal), as "viagens" possibilitadas pela subjetividade da idéia de Texto, Intextextualidade... Hipertextualidade...em sua prática e símbolos.
Estão todos convidados.
À nós,
Tim, Tim!!!
Saudações,
Walma Lúcia
AVES DA NOITE - livro: VENTRE DA NOITE - Poemas
Aves da noite
a invadir meu coração vazio
aves da noite
a invadir meu coração vadio
árvores da noite
a invadir meu coração vadio-vazio
árvores-aves da noite
a desnudar meu coração
vadio-vazio-noturno
aves da noite
a desvirginar-me a noite
em frutos do dia
nos galhos da noite
da vida vazia-sombria-vadia
as sombras das asas da noite
das aves que voam
na noite vadia
as árvores que brotam
em frutos vazios
à noite me perco
e vivo sombria.
Aves que voam nas asas da noite
e buscam a noite em asas vadias
que libertam seus sonhos que brotam vazios
noturnos-noturnos
aves da noite libertem meu ser
AVE... AVE... AVE!!!
(VENTRE DA NOITE - Poemas - Walma Lúcia)
GOZO DA LUA - Livro - VENTRE DA NOITE
A Lua acorrenta
a rua.
A rua na luz
da Lua
nua, nua.
A lua desnuda
- a rua -
sua, sua,
no gozo da Lua.
(VENTRE DA NOITE - Walma Lúcia - Poemas - 1995)
A QUEDA DA SERPENTE - livro - VENTRE DA NOITE
Meu coração devora a angústia
do momento próximo
meu prato de vida
é a morte que me deixa os poros
vomito sangue das noites eternas
as cobras se torcem em meu ventre
com medo da morte, que a estação levou.
Acabou a primavera
e não há mais frutos nesse outono fresco
o vento leva meus demônios
a primavera se foi
e
não há mais maças
a alimentar... minha noite.
(Ventre da Noite - Walma Lúcia - 1995)
A FLOR DA NOITE - livro - VENTRE DA NOITE
Veneno
fantasia noturna no submundo dos loucos,
derrama-te por mares vermelhos e sangrentos das veias.
Oh, Lua !
Coberta de sombras - vestida de negro,
estanca na sede da morte,
à flor...
da pele.
(VENTRE DA NOITE - Poemas - Walma Lúcia - 1995)
A NOITE - livro: VENTRE DA NOITE - Poemas
A NOITE
É Noite!
Libertem-se
oh! loucos dos corpos
sedentos da Lua.
Meu corpo
tem cheiro da noite
dos loucos - dos loucos
sedentos de amor.
(VENTRE DA NOITE - Poemas - Walma Lúcia - 1995)
VENTRE DA NOITE - Prefácio : MARCO LUCCHESI
Editora: MUIRAQUITÃ
PREFÁCIO: Marco Américo Lucchesi
A POESIA DA NOITE
Walma Lúcia nos fala da noite. Da descoberta do Outro. Encontro do Ser.
Da metafísica dos corpos. Tempo Áion. Da chegada de Lilith. Noite da Lua Negra.
Emergência da sombra. Olhar denso do abismo. A noite é fêmea. O Céu e a Terra
num longo amplexo. Da História de la Noche. Da noite no Mar de Creta. Da noite
ungarettiana. Da Noite na Cornualha. Walma Lúcia nos fala da sua noite. Mas há
um substrato comum. Trata-se da NOITE enquanto Arquétipo. Da noite enquanto
conhecimento. Noche Oscura. Noite de Walpurgis. Noite e Infinito. De Ossian a
Leopardi. A Noite enquanto Oráculo. Por tudo isso, a Noite é Fêmea. O VENTRE DA NOITE é o exercício do amor. É a entrega ao absoluto.
Uma ronda contínua. Urbana. Underground. Tão plural. Tão exclusiva. É a espera.
As aves da noite tecem a espera. A Lua é o grande signo. A noite é o espelho, que se
parte. Múltiplo, estilhaçado, forma uma constelação. O inconsciente liberta-se das
peias dos dias. Walma estabelece um pacto com a sombra. Sem isso, estou certo
não haveria o Ventre da Noite. Mas é a sombra no sentido junguiano. Walma sabe
acolhê-la, ouve seu canto, sem distinguir Cristo de Dionísio.
Walma nos traz um livro mais intenso. É sem dúvida a continuação de seu diário. A
noite é a sua estação. Uma etapa, portanto. Isso porque Walma termina seu livro com
indícios de uma aurora próxima. de luz. De repouso. Amor.
MARCO AMÉRICO LUCCHESI







